quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Definição de Dificuldades de Aprendizagem

Desde a primeira definição proposta por Kirk em 1962 até hoje muitas tentativas de definição foram feitas, umas mais consensuais do que outras. A seguir são apresentadas aquelas que são mais completas ou que reúnem mais consenso, podendo vir a tornarem-se na definição das DA aceite por todos.
Definição do U. E. Office of Education (1977):
“O termo dificuldade de aprendizagem significa uma desordem num ou mais dos processos psicológicos envolvidos na compreensão ou no uso da linguagem, falada ou escrita, que se pode manifestar por uma habilidade imperfeita para ouvir, falar, ler, escrever, soletrar, ou para fazer cálculos matemáticos.
O termo inclui condições tais como desvantagens (handicaps) perceptivas, lesão cerebral, disfunção cerebral mínima, dislexia e afasia desenvolvimental.
O termo não inclui crianças que têm dificuldades de aprendizagem que são primariamente resultado de desvantagens (handicaps) visuais, auditivas, ou motoras, ou deficiência mental, ou distúrbios emocionais, ou desvantagem envolvimental, cultural ou económica”.
Esta definição inclui uma segunda parte que determina os critérios para identificar os indivíduos com DA – critérios de discrepância e de exclusão:
1º - Critério de discrepância (ligado a componentes académicas) - o indivíduo pode ser considerado como tendo dificuldades de aprendizagem se:
a)não alcançar resultados proporcionais à sua idade e capacidades numa ou mais das sete áreas específicas (referidas em b), quando lhe são proporcionadas experiências de aprendizagem adequadas a esses dois aspectos;
b) apresentar uma discrepância significativa entre a realização escolar e a capacidade intelectual numa ou mais das seguintes áreas: expressão oral, compreensão auditiva, expressão escrita, capacidade de leitura básica, compreensão na leitura, cálculo matemático e raciocínio matemático.
2º - Critério de exclusão – permite verificar que o indivíduo não tem um problema de aprendizagem específico, quando a discrepância severa entre o potencial e o rendimento é devida a: deficiência visual, auditiva ou motora; deficiência mental; distúrbio emocional; desvantagem envolvimental, cultural ou económica.

Dr.ª Anabela Carvalho 02-10-2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Grande Anúncio

Este vídeo retrata a história de uma menina surda que aprende a tocar violino apesar das dificuldades criadas principalmente por uma colega pianista ouvinte.
Há uma altura em que a menina pergunta "porque tenho que ser diferente dos outros?" e o violinista de rua responde "E porque teria que ser igual aos outros?" ...



Há anúncios e anúncios... este "é daqueles anúncios especiais"...

Revista Diversidades: Mundo Aspie

A Revista Diversidades abordou neste número (n.º26) o tema Síndrome de Asperger (SA). Este número tem como título: “Mundo Aspie”.
Nuno Lobo Antunes refere que “os professores deverão compreender que as crianças com SA têm um medo quase patológico do ridículo, por isso é pre­ciso reforçar a ideia de que o erro é essencial ao conhecimento e à experiência, e evitar situações que podem resultar em humilhação. O estilo de aprender, as características peculiares quanto à escrita, leitura e cálculo deverão estimular os professores, com ajuda de técnicos experientes, a desenvolver técnicas pedagógicas que potenciem as aptidões e não sublinhem, as dificuldades”.
Começa a ser comum a referência ao “Mundo Aspie”. Enquanto cidadãos desse Mundo, o que os caracteriza? O que os distingue? Traços de personali­dade, competências, peculiaridades, síndromes?
A constância desta indelével transitoriedade leva-nos a acreditar, cada vez mais, na sinergia que deve ser colocada no respeito e acolhimento da sua singularidade, enquanto pilar fundamental de intervenção.
Nos reflexos da sua imprevisibilidade, encontram o aconchego e o refúgio salutar nos outros e, por isso, precisam sentir-se compreendidos no seu saber estar, ser e agir e, simultaneamente, demandam que os aceitemos como são. Ser Aspie, ser… simplesmente ser… Não se trata dum mundo de uns e de ou­tros, mas do Mundo que é de todos, com lugar para a igualdade na diferença.
Reconheçamos e deixemo-nos desafiar pela originalidade intelectual e emocional das diversas formas de comunicação e relacionamento, sem resva­lar para o proteccionismo exagerado, indiferença ou discriminação exclusiva.
Maria José Camacho; Directora Regional de Educação Especial e Reabilitação in Editorial

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Exemplo de Vida

É um vídeo sobre Dick e Rick Hoyt, pai e filho que completaram juntos o Iron Man, a prova de triatlo mais difícil do planeta. Rick – o filho – não pode falar ou controlar os movimentos dos braços e das pernas, é um jovem com paralisia cerebral.
O vídeo fala por si...



Fantástico!!!Uma verdadeira fonte de inspiração!!!
Uma história de vida que devemos ter sempre em mente no nosso dia-a-dia.

Síndrome de Klinefelter

É uma Síndrome com causa desconhecida, apesar de alguns estudos realizados pelo Dr. Terry Hassold, nos Estados Unidos.
Foi descrita pela primeira vez, em 1942, pelo Dr. Harry Klinefelter e consiste numa alteração genética que afecta indivíduos do sexo masculino que apresentam um cromossoma X adicional (47, XXY) que é a causa mais frequente do hipogonadismo e infertilidade nesses indivíduos.
Prevê-se que afecte 1 em cada 1000 indivíduos do sexo masculino.


(Scepan et al., 1993; Amory, Anawalt, Paulsen, 2000; Smyth, 2000; Nussbaum, 2002)


A Síndrome de Klinefelter raramente é detectada no recém-nascido.
A presença de um cromossoma X adicional (47, XXY) interfere na produção (quantidades insuficientes) de testosterona e esse défice, reflecte-se no fenótipo dos indivíduos.
É durante a puberdade que a sintomatologia associada à Síndrome de Klinefelter se torna evidente, devido ao aparecimento dos caracteres sexuais secundários.


(Grunbach e Conte, 1998; Hargreave)



Geralmente a criança com Síndroma Klinefelter na sala de aula, segundo alguns autores, é bem-comportada, tímida, quieta, ansiosa para agradar ao professor e por apresentam um problema linguístico (considerados preguiçosos por alguns professores).

sábado, 26 de dezembro de 2009

"Falando com quem faz"






A Associação Nacional de Docentes de Educação Especial vai realizar uma iniciativa que me parece ser de extrema importância e bastante enriquecedora, com temas verdadeiramente pertinentes.
A divulgação de práticas, troca de opiniões, partilha de saberes e de dúvidas são os principais objectivos desta acção, mas certamente que esperam o contributo de cada um de “nós” para que  esta seja uma actividade de sucesso.
De relembrar, que esta Associação está a dar os primeiros passos, mas já conta com uma grande iniciativa: o 1º Congresso Internacional “Ser Professor de Educação Especial”.

É um "Ciclos de Sábados durante 2010"
"Um sábado por mês vamos ter oportunidade de divulgar práticas, trocar opiniões, partilhar saberes e dúvidas."

Deixo o endereço através do qual poderão fazer a vossa inscrição:

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Votos de um Feliz Natal e Bom Ano Novo

Não podia deixar de saudar todos os amigos, colegas, visitantes e curiosos que têm visitado este blogue. São vocês que justificam a existência deste pequeno projecto, que espero ver crescer em 2010!






A TODOS desejo um Feliz Natal e um Excelente Ano de 2010!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Inclusão/Integração

Para quem está na educação especial tem ainda + significado.

O vídeo foi-me mostrado pela minha "Chefinha". O meu muito obrigado...É realmente IMPERDÍVEL!!!



Apenas um comentário...é por isto que eu acho que devemos dizer que trabalhamos na Educação Especial...
Estas crianças/jovens não são "diferentes"...são ESPECIAIS...Espectáculo:)

Também eu sou um sonhador...

"You may say im a dreamer


but im not the only one

i hope someday youll,join us

and the world will be as one."


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Carta ao Pai Natal

Durante estes dias vemos o reboliço nas ruas e nas escolas pela época festiva que se aproxima: O Natal está aí!

São as compras, as festas de Natal e as famosas cartas ao pai natal.

Bem, também eu fui “mordido por este bichinho”! Decidi escrever uma carta ao Pai Natal com os meus desejos.

Olá Pai Natal!

Este ano tenho um pedido diferente de outros anos. Bem sei que a última vez que lhe escrevi tinha eu 8 anos e apenas me limitava a brincar. Pensando melhor...Que aperto me dá…Brincar…muitas crianças nem isto podem fazer nos dias que correm. Os tempos realmente mudaram.

Primeiro que tudo quero trabalhar…trabalhar como estou a fazer neste momento, com meninos que me enchem de orgulho dia após dia. Quero que me deixem ser Professor!

Não é minha intenção ter alunos “perfeitos”, até porque ninguém é perfeito…Parece uma frase feita mas é a mais pura das realidades. Todos nós temos necessidades/dificuldades, o importante é olhar para as capacidades individuais e respeitá-las para um correcto desenvolvimento.

“Apenas” quero ter alunos para trabalhar.

Alunos que quero Ensinar! Afinal de contas é esta a missão de todos os professores.

O contacto diário com “os meus meninos” faz-me bem, faz-me crescer enquanto profissional, enquanto educador/professor, apesar de todas as barreiras/obstáculos que vou encontrando pelo caminho.

Gostaria ainda de pedir que “melgasse” a cabeça aos PAIS de todo o Mundo. Porquê? Neste momento deve estar a interrogar-se porque motivo peço isto. Porque o Envolvimento Parental é fundamental e acima de tudo porque é urgente que a Família volte a ser a peça primordial da instituição de educação. Sim, porque a escola é um dos locais privilegiados onde as crianças e os jovens constroem o seu quadro de valores morais e intelectuais que marcará para sempre as suas vidas e comportamento social, mas não se pode responsabilizar apenas a escola por um papel, a Educação, que é principalmente da família.

A família já não pede apenas que a escola ensine/instrua as crianças, exige que as “guarde” durante os largos períodos de tempo em que os pais vão trabalhar. Desde dos infantários/creches até ao fim do 1º CEB que estas instituições parecem “albergues diurnos para crianças”.

Para finalizar gostava de lhe pedir que a escola pudesse voltar a “ensinar” porque, em grande parte, passou a ser convocada para educar. E porque não ensina, não cativa, não desafia para a aprendizagem e compreensão.

Obrigado por me voltar a "aturar" Pai Natal.

E desculpe se também eu deixei de acreditar nos meus sonhos, nos meus desejos.

PS: Bom Natal para todos, são os desejos sinceros deste professor "sonhador"

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Seminário “Multideficiência: Que Desafios? Educar, Reabilitar para Integrar”

Este Seminário decorreu, nos dias 20 e 21 de Novembro, na Universidade Católica - Pólo de Viseu. A organização esteve a cargo da APPACDM de Viseu em parceria com a Universidade Católica de Viseu.
Gostaria de deixar, desde já, uma mensagem de parabéns aos organizadores pela qualidade do evento, estando já à espera de um próximo evento, da mesma dimensão.
A organização deixou bem patente que com vontade tudo é possível, trouxeram até nós alguns nomes importantes da Educação Especial em Portugal.
Distingo, desde já, aquela que é considerada por muitos, como a “Mãe” da Educação Especial no nosso País, Ana Maria Bénard da Costa. É um prazer ler tudo o que esta Senhora escreve, mas ainda mais cativante é ouvi-la falar. Prova disso foi a medalha de mérito com que a presentearam no 1º Congresso Internacional “Ser Professor de Educação Especial”, realizado nos dias 27, 28 e 29 de Novembro, em Almada. Aqui, tal como lá, recebeu a melhor das distinções, uma ovação em pé e calorosa pelas mais de 350 pessoas presentes. É o reconhecimento de que ainda é, e continuará a ser, uma figura ímpar da Educação Especial.
Outra grande figura presente foi o Dr. Daniel Serrão, que nos presenteou com um discurso sobre o tema: “Ética na abordagem à Multideficiência”. Foi uma dissertação concisa, elucidativa a conseguir cativar toda a plateia.
Todos os oradores foram brilhantes, a meu ver, quase todos conseguiram “prender” a nossa atenção, ficando com a sensação que alguns poderiam ter falado um dia inteiro e mesmo assim muito ficaria por dizer.
Neste seminário salientou-se, mais uma vez, a importância da família e a valorização das práticas.
Citando o Dr. António Lemos, logo na sessão de abertura:  “Também o caracol passo a passo entrou na Arca de Noé”.
Realçou-se, a alegria e a persistência com que os profissionais da APPACDM trabalham. Eles deram-nos a grata sensação que com o empenho, alegria, trabalho e suor se diminuem algumas barreiras.
Todos somos poucos para conseguir ultrapassar estas barreiras.
Tive a felicidade de estar em dois eventos, em duas semanas consecutivas, que me “encheram” de ânimo e coragem para enfrentar o futuro.
Em ambos muito mais haveria para dizer e fica a promessa que numa próxima oportunidade citarei outros oradores, igualmente empolgantes e esclarecedores presentes nestes eventos.
Não poderia deixar passar a oportunidade de dar os PARABÉNS, apesar de atrasados, à APPACDM Viseu, pelos 33 anos de vida (comemorados no dia 1 de Dezembro de 2009). Espero que continuem o vosso trabalho, simplesmente brilhante, na integração de cidadãos com deficiência na sociedade.

Opiniões/Sugestões

Decidi criar este espaço para todos os interessados deixarem a opinião e/ou sugestão, de modo a este "nosso" cantinho poder crescer.
Gostaria de agradecer a todos que me elogiaram e acima de tudo aos que me fizeram críticas, pois entendo que só desse modo posso melhorar.

O meu muito obrigado a todos.

Cumprimentos e ajudem o blogue a crescer com opiniões e/ou sugestões.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Universalidade de Ensino VS Universalidade dos Métodos de Ensino


Um dos grandes conflitos na educação dos dias de hoje é a universalidade dos métodos de ensino…e não confundamos este termo com a universalidade de ensino.

Esta última está ligada à Sociedade cada vez mais exigente, onde é imposto um grau de conhecimento e especialização cada vez mais elevado.

A universalidade dos métodos de ensino está ligada às práticas, aos métodos e à sua aplicação a Todos os alunos. Resultado: fracasso total de uma parte dos alunos.

Se a existência de uma universalidade de ensino se torna óbvia aos olhos de todos, a mesma só é possível com a diferenciação de métodos e de currículos.

A aplicação dos mesmos métodos no mesmo local, para todos os alunos independentemente das suas capacidades é assegurar o fracasso de muitos alunos. Estes acabam por se afastar, começando a perturbar as aulas, e na pior das hipóteses mergulham em indisciplina e nos tão propalados problemas de comportamento.



Adaptado do livro “Pode a Educação Especial deixar de ser especial?”

De James M. Kauffman e coordenação de João A. Lopes

"Más Políticas VS Bons Sonhos"

"Não desistimos, porque as más políticas não são tão fortes como os bons sonhos."
 Pereira, Mário (2009)

Esta frase é da autoria do Dr. Mário Pereira, da ASSOL, durante a sua comunicação sobre a Transição para a Vida Activa, no 1º Congresso Internacional “Ser Professor de Educação Especial”.


É uma frase que cito para reforçar que somos nós enquanto professores/educadores que fazemos a diferença no dia-a-dia de crianças e jovens.
Não são as políticas que desenvolvem as nossas crianças...somos nós com os nossos sonhos, com o nosso empenho que criamos melhoria na qualidade de vida dessas crianças/jovens, proporcionando um futuro melhor.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Congresso Internacional “Ser Professor de Educação Especial”,

Gostaria de partilhar com todos uma palestra que me marcou consideravelmente.
A palestra da Professora Windyz B. Ferreira, no 1º Congresso Internacional "Ser Professor de Educação Especial”, realizado nos dias 27, 28 e 29 de Novembro. A qualidade dos oradores era notória à partida, a sala cheia “apenas” veio confirmar as expectativas. A organização estava de parabéns antes do início por ter reunido muitos “GIGANTES” dentro da mesma sala, todos com o mesmo desejo: reflectir sobre o papel do Professor de Educação Especial.

Foram três dias de debates e palestras interessantíssimas cheias “sumo pedagógico” que me permitiram (e penso que a todos os presentes) crescer enquanto profissional de educação, mas acima de tudo enquanto pessoa, enquanto ser humano consciente que faço parte do processo de desenvolvimento e crescimento de crianças e jovens.

Desses três dias muitos temas e personalidades podiam ter sido escolhidas, mas porquê a Professora Windyz Ferreira?

Bem, acima de tudo, pela humildade com que partilhou com todos os presentes a sua experiência. Pela simplicidade com que debateu um tema tão discutido nos dias de hoje: “Educação Inclusiva: onde estamos, para onde vamos?”, simplicidade essa que foi de assinalável eficiência para passar a principal mensagem:

“Todos nós, enquanto educadores somos um ponto. Que podemos fazer escolhas e devemos optar pela melhoria de qualidade de vida das crianças e jovens com quem trabalhamos. É certo que precisamos de meios/recursos mas é a NÓS que nos compete lutar”.
De seguida, coloco a hiperligação com o vídeo que a Professora Windyz B. Ferreira passou durante a sua palestra. Este é sem dúvida um dos “gritos de mudança” que todos os profissionais devem ter dentro de si.





Concluo, alertando que muitas vezes os meios/recursos, ou a falta deles, são uma má desculpa. É certo que eles são importantes, ou até mesmo fundamentais, em alguns casos sem recursos é-nos impossível trabalhar. Mas de que vale ter recursos e não ter crianças...não ter vontade/motivação...
Lembrem-se, todos vocês, professores/educadores: Nós temos na escola o mais valioso de todos os recursos... as nossas crianças... elas são o mais importante, o seu desenvolvimento deve ser o nosso investimento.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tempos de Mudança

Vivemos em tempos de mudança. Mudanças de paradigma, mudanças de mentalidades, mudanças de comportamentos e atitudes. Resumindo, vivemos uma época em que a sociedade muda ao ritmo da evolução das novas tecnologias.

Na Educação Especial vivemos agora com um novo conceito, um novo paradigma, o da Inclusão, deixando para trás, o da Integração (mesmo estando eles completamente associados). Vimos emergir uma inovação das práticas educativas, promovendo a “Escola para Todos”, onde a diversidade deverá ser um aspecto enriquecedor do grupo.

A preocupação com a educação inclusiva é, actualmente, um facto premente no seio das sociedades e dos sistemas educativos da generalidade dos países, especialmente após a realização, em Salamanca, da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, no ano de 1994.

Esta preocupação com o ideal da inclusão faz, actualmente, todo o sentido na medida em que continua a verificar-se, um pouco por todo o lado, a exclusão social de muitas pessoas, por diferentes razões, nomeadamente, económicas, linguísticas, culturais ou raciais.

Mas, fazendo referência a Correia (1999 p.41):

"Não basta criar um sistema de boas vontades, de bons relacionamentos e que preveja uma formação adequada, requer como indispensável o apadrinhamento de toda a política social e o assumir das responsabilidades estatais para a implementação de um sistema inclusivo".

É essencial que a escola evolua para estruturas flexíveis, dinâmicas, diversificadas e compensadoras.

Por outro lado é necessário dar a esta escola meios técnicos e humanos, de forma a que se possa operar uma educação especial apropriada.

Não é demais lembrar, a alguns desatentos, que a “inclusive school” implica uma pedagogia centrada na criança capaz de as educar com sucesso a todas, mesmo as que sofrem de grandes desvantagens. Uma escola que assegure uma educação de qualidade a todas as crianças mas que ajude a mudar as atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras e desenvolvendo uma sociedade integradora (UNESCO, 1994).

Acabo, citando palavras da Dr.ª Carolina Marques, dizendo que é necessário inovar práticas educativas, de modo a que se promova, realmente, uma educação diferenciada que aceite diferenças e apoie as aprendizagens independentemente das suas condições físicas, sociais, étnicas, religiosas e linguísticas.

As necessidades educativas especiais fazem parte da escola de todos... de todos nós e assim, as respostas que encontramos para alguns, podem beneficiar todos.

Os resultados da evolução em todo o processo de mudança até ao presente momento, não são os que se pretendiam, mas os que se conseguiram.

Projecto

Espaço crítico e construtivo, mas acima de tudo um espaço de partilha de saberes e vivências.

Discutamos a EDUCAÇÃO ESPECIAL em tempos de mudança.