quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cientistas criam sapato que pode ajudar a voltar a andar

Em Israel, cientistas criaram um sapato especial que pode ajudar pessoas com problemas de locomoção a voltar a andar.

Abrar nasceu com paralisia cerebral e só anda com a ajuda de muletas. Três vezes por semana, a jovem frequenta um centro de reabilitação em Jerusalém Oriental. Graças a um convénio entre uma empresa israelense de tecnologia e a autoridade palestina, a menina de 11 anos está a reaprender a andar sem apoio.

Abrar é uma das primeiras pacientes a usar o “re-step”, um sapato de aspecto estranho, que se parece a uma mistura de ténis e bota de futebol. Mas o que seriam as travas são pequenos sensores que podem ser programados por computador para executar vários movimentos.

Depois de algumas sessões, Abrar já consegue equilibrar-se e dar alguns passos sozinha. O resultado é analisado pelos terapeutas para avaliar a sua evolução, mas é o agradecimento da mãe que mostra que o tratamento de Abrar está no caminho certo.

O cérebro comanda os movimentos, isso é aprendido desde cedo, mas quando a parte cerebral correspondente à coordenação motora está danificada, as pessoas têm dificuldades em andar. O sapato inverte esse comando, ajudando as pernas a “dizerem” ao cérebro o que fazer durante uma caminhada.

A directora científica da empresa, Simona Bar-Haim, explica que os sensores são programados para reeducar e fazer com que o cérebro reproduza o mecanismo de andar normalmente. Os sensores simulam passos na areia, na relva e até sobre pedras, sem seguir um padrão. Assim, surpreendido a cada passo, o cérebro tem de tomar decisões instantaneamente para resolver os problemas.

A cientista afirma que esta é a melhor maneira de reabilitar a área do controlo motor que está danificada. Quarenta minutos por dia, durante três meses, podem ajudar não só crianças, mas também pessoas idosas, como Ney’La. Aos 63 anos, Ney’La tem paralisia na metade esquerda do corpo, sequela de um derrame cerebral.

Estreando com os sapatos, Ney’La diz que, pela primeira vez em muito tempo, consegue levantar a perna esquerda a cada passo, em vez de arrastá-la. Os cientistas pretendem vender o sapato a clínicas de reabilitação e a consumidores a partir do ano que vem. Até lá, quem sabe, Abrar já terá se despedido da incómoda muleta.

Os pacientes vão ter de usar os sapatos até que o cérebro reaprenda a comandar os movimentos das pernas. A ideia é que, no fim do tratamento, consigam a reabilitação total – ou seja, deixem de usar as muletas definitivamente.


Sem comentários:

Enviar um comentário