terça-feira, 1 de julho de 2014

UM RAPAZ CHAMADO INSEGURO

Era uma vez um rapaz, tinha oito anos e chamava-se Inseguro. Era esperto mas tinha sempre algum receio de fazer o que lhe pediam, tinha medo de não fazer bem as coisas. O Inseguro era quase sempre assim, em casa, na escola ou a brincar com os amigos. Tinha tanto receio de não fazer bem feito que, quando a professora lhe pedia para inventar uma história, o Inseguro preferia contar uma história já inventada dizendo que era mais bonita do que a que ele tinha começado a inventar.

Nunca se oferecia para dar uma resposta quando a professora fazia alguma pergunta para o grupo. Quando era interpelado em alguma circunstância, o Inseguro respondia muito baixinho, tinha medo de não responder bem.

A pouco e pouco, foi ficando mais calado, discreto, enfiado no canto mais cantinho que a sala tinha. A professora, quase sem dar por isso, foi deixando de falar com ele, até se esquecia, dizia ela, e os colegas achavam que o Inseguro não era grande companhia para trabalhar ou brincar pelo que também deixaram de lhe dar atenção.

Um dia, o Inseguro não apareceu em casa à hora do costume, os pais, preocupados, foram até à escola que estava quase a fechar, já sem ninguém.

Procuraram e no canto mais cantinho da sala de aula, estava um vulto que mal se via. O Inseguro, sem ninguém se dar conta, estava a ficar transparente. Já era muito difícil reparar nele, quase não se percebia que existia.

Se conhecerem algum miúdo que também esteja a ficar transparente, assim como o Inseguro, ofereçam uma caixa de tintas para ele se pintar às cores e ver-se ao espelho. Ele vai rir-se e não se esquecerá de que existe. Nem nós. 

Texto de Zé Morgado

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